terça-feira, 31 de maio de 2011

Autoconhecimento “A Dificílima Viagem De Si A Si Mesmo”

Autoconhecimento

           “A Dificílima Viagem De Si A Si Mesmo”

Autora: Márcia Ferreira Machado (CRP 05/37392)

“...Restam outros sistemas fora do solar a colonizar.
Ao acabarem todos só resta ao homem (estará equipado?)
A dificílima, dangerosíssima viagem de si a si mesmo:
Pôr o pé no chão, do seu coração
Experimentar, colonizar, humanizar o homem
Descobrindo nas suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insustentada alegria
De com-viver.”
                              (Carlos Drummond de Andrade)


Você já percebeu como você reage emocionalmente frente às dificuldades da vida?
Conviver com diversas situações de forma equilibrada, pode ser dificílimo e parecer até
impossível. Mas, o homem possui recursos internos que podem colaborar bastante nesse
processo, e o autoconhecimento é um riquíssimo potencial se para alcançar tal objetivo.
Em geral, as pessoas costumam se queixar de seus problemas responsabilizando
tudo e todos ao seu redor, atribuindo todo o seu  bem-estar ou mal-estar, conquistas e
perdas às coisas externas. Quase nunca se implicando com as conseqüências em função
das escolhas que fazem, e vivem profundamente infelizes porque acreditam que todas as
soluções também virão de fora e cairão como um pacote prontinho, e tudo bem.  Não.
Um velho sábio da antiguidade disse: “Conhece-te a ti mesmo”. Essa mensagem de
Sócrates  dirige-se ao toque de inteligência Emocional: ou seja, a consciência dos
próprios sentimentos quando eles se manifestam. Estar atento à diferença entre ser presa
de um sentimento e tomar consciência de estar sendo arrebatado por ele é crucial, diz
Golemam (1996), p.59.  Escolher e observar conscientemente é um mecanismo muito
enriquecedor e o coração sabe qual é a resposta correta. Embora, a maioria das pessoas
considere o coração piegas e sentimental. Enganam-se. Pois ele é, intuitivo, holístico,
contextual e relacional, afirma Deepak Chopra (1998), p.41-42. 124
Lembrando Antoine de Saint Exupéry com seu bes-seller O Pequeno  Príncipe: “É
com o coração (sentimento) que se vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos”.
São os nossos  sentimentos, que transformam tudo e todos, com os quais nos
relacionamos, importantes para nós.
Leonardo Boff em, Saber Cuidar (1999), lança mão do trocadilho de Daniel
Goleman, “Mas do que o cartesiano: penso, logo existo, importa o sinto, logo existo”. A
fonte de pesquisas empíricas do autor supracitado, a respeito do cérebro e da neurologia,
revelou aquilo que Platão (427-347 a.C), Santo Agostinho (354-430), a escola
franciscana medieval com S.Boaventura Duns Scotus no século XIII, Pascal (1623-
1662),  Schleiermacher (1668-1834) e Heidgger (1889-1976), nos transmitiram há
muitos e muitos anos atrás. Continuando nossa viagem. Vamos nos aprofundar ainda
mais nessa aventura humana  buscando em nossos  arcabouços a origem de todo esse
potencial humano aqui apresentado, p.100.
Retomando a nossa história,  constatamos que  existe uma significativa diferença
entre os seres humanos e os outros mamíferos, e esta reside no fato de que os humanos
demandam muito mais tempo para passar pela infância e atingir a idade adulta.
Enquanto que os  filhos de outros mamíferos se desenvolvem plenamente no útero e
nascem prontos para o mundo externo. Comparados a estrutura de outros animais, os
bebês humanos parecem nascer prematuros.
 Exigindo as famílias que lhes proporcionasse proteção, as quais, podem ter iniciado as comunidades,
as tribos nômades e aldeias que deram origem à civilização humana.
Neste período, os seres humanos sofreram muito com as alterações climáticas, então
os sobreviventes humanos uniam-se para caçar juntos e partilhar juntos seus alimentos,
essa partilha tornou-se  um estimulador para a civilização e  para  a cultura humana,
surgindo enfim as dimensões míticas, espirituais e artísticas da consciência humana.
Pontua Fritjof Capra, (2007), p.204-205). Assim compreendemos porque o homem é um
ser gregário.125
Segundo Leonardo Boff, “o cuidado está na raiz da existência humana. É intrínseco
ao homem. Complementa: É conhecendo melhor a história do universo e a nós mesmos,
que estamos conhecendo a nossa ancestralidade.”
     Enfatizando as palavras do inesquecível poeta Drummond, podemos “descobrir nas
próprias inexploradas entranhas, a perene alegria de” viver e “com-viver”.
Mas, viver este importante processo de autoconhecimento, protegido pelo sutil cuidado
de  um bom profissional é  ainda  melhor. Para tanto, vamos falar de algumas
especialidades que contribuem diretamente com este processo, neste caso, a psicologia,
a meditação e a hipnose. Todos com origem na antiguidade.
       Lembramos que as raízes da psicologia se expandem pelo interior das profundezas
da alma humana e significa estudo da psique, mente ou alma e conta, milênios antes de
Cristo.
No século XVI, na Alemanha, psique foi conjugada a logos (estudo), da alma. Em torno
de 1730, ela já era usada num sentido mais moderno no mesmo país, além da Inglaterra
e da França; ainda na época de 1888, psicologia era definida, “a ciência da psique ou da
alma”.
Ken Wilber (2002), em uma de suas pesquisas, descobre um precioso manual que inclui
Fechner em 1850, quando ele percebe que a lei de ligação entre mente e corpo pode está
num enunciado da relação quantitativa entre a sensação mental e o estímulo material. É
a lei de Fechner”. Posteriormente, descobre outra preciosidade do mesmo autor,  Life
after diath (A vida após a morte), nele o autor inicia dizendo: “O homem vive na terra
não apenas uma vez, mas três.”  Schopenhauer  dizia ter baseado grande parte da sua
filosofia no misticismo oriental. P.7-8.
         Como vemos, as raízes da psicologia moderna estão apoiadas em tradições
espirituais, por que a psique  está conectada em fontes espirituais.  São estes percursos
internos que fazem o homem trilhar nos processos terapêuticos.
          Seguindo para outro recurso, apresentamos a Meditação.
De acordo com Deepak Chopra, essa é uma técnica eficaz para diminuir a tensão,
aumentar a criatividade e proporcionar uma profunda sensação de paz ao praticá-la. É
um eficiente recurso para equilibrar o corpo durante os períodos de sono e vigília, e tem
a capacidade de intensificar o estado de alerta e de aprofundar o relaxamento. Em fim, é
um estado de não pensar.
          Ken Wilber, em sua obra “O olho do Espírito” , afirma, baseado nas pesquisas de
Charles Alexander, psicólogo do desenvolvimento,  profissional de muita expressão a 126
começar pela sua dissertação de doutorado em Harvard (1982), a respeito do
desenvolvimento do ego e das mudanças de personalidade em presidiários que
praticavam Meditação.  O resultado de sua pesquisa  é que  a meditação vai “acelerar o
desenvolvimento da consciência de modo notável, sem alterar suas forma ou seqüência
básica”. Atestando assim, que ela não altera o curso do desenvolvimento psicológico,
mas acelera significativamente. Eis aí a relação da Meditação com a psicoterapia.
          Por fim, abordaremos a Hipnose  baseada em  Milton Erickson, Conforme
apresentado por Sofia Bauer, no livro “Hipnose Erickisoniana Passo a Passo”, que
consiste em fazer um tipo de transe exclusivo para cada cliente, de acordo com um
critério de avaliação de como cada pessoa é, como cria seu sintoma, como é sua
resistência. Utilizando  sempre o  material do  seu  próprio  discurso  para colocá-lo em
transe. Este é compreendido como uma experiência natural a todo ser humana. O
terapeuta captura a atenção do cliente por meio de aspectos de interesse e linguagem
própria do mesmo.  O material que emerge deve ser aceito espontaneamente,
aproveitando inclusive a resistência,  utilizando-se deste para ir passo a passo para
dentro do cliente.
          Assim, podemos conhecer melhor nossas potencialidades e aplicá-las no nosso
dia a dia, frente às situações e emoções inesperadas. Compreendendo melhor a causa
das angústias e sofrimentos por nos desviamos tanto da nossa essência humana. Então
sigamos o exemplo de Drummond e aventuremo-nos nas nossas próprias, inexploradas
entranhas

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