As Perspectivas Do Futuro Da Hipnose
Autor: Paulo Paixão
O tema que me foi imposto – As perspectivas do futuro da Hipnose – poderia ser
resumido em duas palavras: O futuro da hipnose é promissor. Mas para comprovação de
minha assertiva, eu teria que fazer um estudo completo só da História da Hipnose. Mas
como disse W. Preyer: “para se fazer um estudo completo da História da Hipnose, seria
necessário que um médico fisiologista se ligasse a um psicólogo, a um teólogo, a um
filólogo, a um historiador e a um orientalista”. Em verdade, folhear livros raros de
magia, cavar no escuro segredos cabalísticos, indo até a tradição judaica, interpretar
livros místicos já gastos pelo tempo que o santifica, não é tarefa de pouco momento. Eu
teria que falar, pelo menos duas horas. Contudo, terei de terminar às oito e meia.
Portanto, resumirei o mais possível e darei apenas algumas explicações.
As chamadas forças ocultas despertaram sempre e, todos nós o mais vivo dos
interesses. Existam ou não, reais ou fantásticas, ilusórias ou verdadeiras, elas continuam
sendo a causa e o pretexto para inúmeras investigações. O hipnotismo através dos
tempos e com diversas nomenclaturas sempre veio ao aureolado de magia e sempre teve
o condão de atrair o grande público.
Clark Hull, hipnólogo americano, autor do livro – Hipnose e sugestão - e que
teve grande influência sobre Milton Erickson, disse: “Todas as ciências descendem
igualmente da magia e da superstição, mas nenhuma delas tem tido tanta dificuldade,
quanto a hipnose para livrar-se dessa noção maléfica ligada a sua origem”.
Dizem que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Assim, também, a
hipnose é a arte mais antiga do mundo. Acompanhou o homem desde a mais remota
antiguidade participando com ele de todas as suas vitórias e aventuras e sofrendo com
ele todas as suas derrotas e decepções.
Durante e a partir da segunda guerra mundial (1938-1945), de modo
incontestável, a hipnose ressurgiu para se firmar definitivamente dentro da prática
médica.
A necessidade de se abreviar a psicoterapia dos casos de neuroses de guerra fez
com que os psicoterapeutas voltassem suas vistas para a hipnose como processo
associado a uma psicoterapia dinâmica-analítica.10
O livro Hypnoterapy of War Neuroses (1949) de J. D. Watkins é dos melhores
exemplos deste fato.
Por outro lado, a hipnose, abandonada durante decênios como anestésico, teve
sua grande oportunidade durante a guerra. Em muitos lugares, notadamente em campos
de concentração, os anestésicos eram reservados exclusivamente para as grandes
intervenções. As necessidades de guerra impunham um racionamento muito grande de
anestésicos. Lembraram-se então da hipnose, e muitas intervenções foram feitas sob
estado hipnótico.
Inquestionavelmente foi o Relatório da Associação Médica Britânica (1955) que
deu o maior impulso ao ressurgimento da hipnose. Nesse relatório a BMA diz estar
convencida de que o hipnotismo é útil e pode, em alguns casos, ser o tratamento
escolhido das chamadas desordens psicossomáticas e psiconeuroses. Como método de
tratamento está aprovada sua capacidade de remover sintomas e de alterar hábitos
mórbidos de pensamento e de comportamento.
O segundo grande passo na evolução da hipnose foi o Relatório da Associação
Médica Americana (1958), que, organizado pelo seu Conselho de Saúde Mental, em
suas conclusões diz: “Os clínicos gerais, os médicos especialistas e os dentistas
encontrarão na hipnose um adjunto terapêutico valioso, dentro do ramo de sua
competência profissional. Torna-se necessário ressaltar que aqueles que usam a hipnose
devem estar a par da natureza complexa dos fenômenos em questão. Os ensinamentos
relacionados com a hipnose devem ser ministrados sob direção médica ou odontológica
responsável e os programas de ensinamentos integrados devem incluir não somente as
técnicas de indução, mas também as indicações e as limitações para seu uso dentro da
área específica envolvida. A instrução limitada às técnicas de indução deve ser
desestimuladas.
Em 15 de novembro de 1961, a Comissão Terapêutica da American Psychiatric
Association publicou um relatório no qual reconhece que a hipnose constitui um auxílio
à pesquisa, ao diagnóstico e ao tratamento na prática psiquiátrica. Reconhece seu valor
em outras áreas da prática médica e da pesquisa.
O Relatório da Associação Médica Canadense (1963) diz: 1) A hipnose tem um
potencial de contribuição para qualquer condição na qual a psicoterapia possa ser
efetiva; 2) As técnicas hipnóticas podem abreviar o tempo requerido para a investigação
e/ou tratamento das condições orgânicas como uma sobrecarga funcional como
conseqüência de retroação (feedback); 3) A hipnose pode servir como um instrumento 11
valioso de pesquisas nos estudos do comportamento humano e no condicionamento, no
processo de aprendizagem, na produção experimental de neuroses artificiais, nos
conflitos e condições psicossomáticas experimentais.
Milton H. Erickson é considerado o maior hipnólogo do século XX. Em relação
a Milton Erickson (1901 – 1980), durante o Congresso Internacional de Hipnose
realizado em Filadélfia, Pensilvâniaa, em 1976 recebeu a condecoração que a
Internacional Society of Hypnosis lhe concedeu: The Benjamin Franklin Gold Metal,
que lhe foi entregue pelo presidente da Universidade da Filadélfia. Na gravação estava
escrito: “To Milton H. Erickson, MD-innovator, outstanding clinican, and
distinguishead investigator whose ideas have not only helped create the modern view of
hypnosis but have profoundly influenced the practice of all psychoterapy throughout the
world”. Erickson concebia o fenômeno da hipnose como a focalização da atenção do
paciente, enquanto dirigia-se a seu inconsciente não-lógico quanto um mestre na arte
das vias indiretas, empenhava-se não somente nas sugestões formais, mas também na
miríade de sugestões informais para comunicar o que fosse necessário para encontrar as
necessidades do paciente. A hipnose sob o ponto de vista tradicional caminha do
“exterior para o interior do paciente”, enquanto nos métodos ericksonianos ela vem do
“interior para fora” e as alterações acontecem por crédito do paciente e não do
terapeuta.
E, sobre Bernard B. Ragisnky? Nada! Entretanto, em qualquer trabalho sobre
hipnose, nunca poderá ser esquecida a figura de Ragisnky. Graduou-se pela McGill
University e viveu em Montreal, Quebec, Canadá. Pertenceu e atuou em várias
sociedades médicas americanas, tendo sido presidente da Academy of Psycosomatic
Medicine dos Estados Unidos. Foi o presidente-fundador (1948) da The International
Society for Clinical & Experimental Hypnosis; tornou-se a sociedade filiada a The
World Federation for Mental Health. Dentro da hipnose seu trabalho foi inexcedível e
sua maior contribuição foi sobre a hipnoplastia sensorial. Recebeu numerosos prêmios
em sua vida inclusive Medalha de Ouro outorgada pela The Society for Clinical and
Experimental Hypnosis, dos Estados Unidos, em 1956. Bernard B. Ragisnky faleceu aos
71 anos de idade em 28 de abril de 1974.
O irmão Vitrício (1919-2005) foi criador e introdutor da Letargia ou técnica
letárgica no Brasil no ano de 1957. Fez demonstrações de sua técnica nas principais
cidades brasileiras sempre com grande sucesso. 12
Osmard de Andrade diz o seguinte: “Popularizou-se entre nós a prática de
letargia a tal ponto que atualmente querem manejar. Letargia é um excelente recurso
podemos assegurar.
A letargia, como procedimento inicial de indução hipnótica, é dos melhores que
conhecemos, tanto que o vimos praticando de rotina em nossa clínica. Leva sobre os
demais procedimentos iniciais em prática (pestanejamento sincrônico, levantamento do
braço, fixação do olhar, etc.) algumas vantagens que é preciso não olvidar.
O procedimento letárgico está se tornando o preferido de quantos praticam a
hipnose científica.
A principal vantagem do procedimento letárgico sobre todos os outros é que não
exige do paciente o inicial cansaço muscular palpebral e visual. Osmard Andrade Faria
– Hipnose e Letargia Editora Atheneu, Rio de Janeiro, 1959, página 145.
No Rio de Janeiro a Dra. Clystine Abram, no dia 23 de julho de 1996, fundou o
Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada (IBH). O IBH mantém cursos regulares de
hipnose e já formou bons hipnológos. O IBH realizou o I CONGRESSO DE HIPNOSE
CLÍNICA E HOSPITALAR, nos dias 6 e 7 de setembro de 2008, com muitos
participantes e bons resultados.
O FUTURO DA HIPNOSE
Emílio Servadio, Presidente da Sociedade Psicanalítica Italiana, escreveu: “A
hipnose surge como uma força que não pode ser contida. Como um rio que transborda
todas as vezes que o homem tenta represá-lo, ela cresce”.
O futuro da hipnose está assegurado porque ela se preocupa com o bem-estar
psicossomático do homem, numa época em que todas as preocupações são mecânicas,
espaciais e nucleares, isto é, de todos os tipos menos humanas. Jean Dauven – Le
Pouvoirs de L´Hypnose – Ed. Dangles, Paris, 1977, pág. 221.
O futuro da hipnose é promissor porque o seu progresso nunca se detém. Uma
vitória da hipnose que nos parece definitiva, não é senão o ponto de partida para novas
vitórias.
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